Débora Fernandes Xavier, ministra de Juventude na Igreja Batista em Araçás, em Vila Velha - ES; Coordenadora do Vem Pra Vida (JBB); Psicóloga; 2ª secretária da CBB
O mandamento de amar ao próximo como a si mesmo nos convida a ter atitudes verdadeiras que demonstrem o amor. Deus, que é amor, criou o mundo por meio da Sua voz e no 6º dia disse que tudo era muito bom! Desde o princípio, Ele se importa com Sua criação, Ele cuidou e estabeleceu limites para a proteção da humanidade.
Jesus, o Cristo que seguimos, viveu esse amor de forma prática. Jesus não ficou distante do sofrimento humano: acolheu, ensinou, protegeu e confrontou a maldade. O foco de Jesus era salvar a humanidade e revelar a glória de Deus, mas seu ministério também revelou cuidado com os vulneráveis. E muitas vezes, por meio da sua voz, transformou vidas. Diante disso, somos chamados a fazer o mesmo: transformar, proteger e se importar. Será que você tem usado a sua voz para proteção? Como tem sido o seu posicionamento diante do sofrimento do outro?
No mês de maio, a Juventude Batista Brasileira (JBB) promove a campanha de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Mais do que uma campanha, é um chamado: “Seja voz: sua voz transforma, protege e importa".
A Palavra nos orienta em Provérbios 31:8 (NTLH): “Fale a favor daqueles que não podem se defender. Proteja os direitos de todos os desamparados.”. No Brasil, a realidade exige atenção. Em 2024, foram registradas 87.545 pessoas vítimas de estupro, incluindo estupro de vulneráveis (vítimas menores de 14 anos ou sem condições de consentir ou resistir). É chocante ler essas informações e a grande maioria das vítimas são crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos (FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2025). No ambiente digital, também há perigo. No Brasil, 1 a cada 5 crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos já sofreu exploração e/ou abuso sexual facilitados pela tecnologia (UNICEF, 2026). Imagine, em uma classe de adolescentes, quantos possivelmente já foram vítimas de violência sexual?
Diante disso, o chamado é claro: Seja voz. A palavra “seja” está no imperativo porque queremos chamar cada um para a ação. Apesar do foco em adolescentes, falaremos também para pais, responsáveis, líderes, professores de EBD e para a Igreja como um todo. Pois, o Estatuto da Criança e do Adolescente deixa claro que é nosso dever como família, comunidade e sociedade em geral proteger crianças e adolescentes. A campanha convida a igreja a falar sobre a temática das violências e abusos contra crianças e adolescentes. Um assunto difícil, mas essencial para gerar proteção e cuidado. Dessa forma, você e sua igreja podem usar a voz de algumas maneiras:
Seja voz para romper o silêncio sobre o tema: Falar sobre violência e abuso é fundamental. Esses assuntos ainda são tratados como tabus, mas só quando quebramos o silêncio criamos ambientes seguros e evitamos novos casos. Conversar e ensinar é uma forma de proteção.
Seja voz para proteger outras pessoas: Mesmo quem nunca viveu uma situação de violência pode ser voz por alguém que precisa. Falar, orientar e pedir ajuda por outra pessoa é um ato de cuidado, justiça e pode gerar transformação ao seu redor.
Seja voz sobre a sua própria história: Quem sofreu violência ou abuso pode conviver com medo e vergonha por muito tempo, e falar sobre isso nem sempre é fácil. Ainda assim, mesmo que a sua voz tenha sido silenciada, ela não perdeu o seu valor. Quando for possível e seguro, pode ser um passo importante compartilhar com alguém de confiança o que você viveu ou até mesmo como tem se sentido. Você não precisa carregar isso sozinho(a). A sua voz importa.
A voz, seja contando a própria história, ajudando alguém ou trazendo o tema à luz, pode transformar vidas, proteger vulneráveis, a si mesmo e outras pessoas. Falar pode proteger. Sua voz tem força. Sua voz pode salvar.
Por isso, seja voz nos lugares onde você está e com as pessoas que fazem parte da sua vida. Seja voz com responsabilidade, sensibilidade e coragem. Diante de qualquer suspeita ou confirmação de violência, existe um canal gratuito e sigiloso de denúncia e orientação: Disque 100.