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1- FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA DA CONVENÇÃO BATISTA BRASILEIRA

A Convenção, constituída pelas igrejas batistas que livremente se associam para sua formação, é uma associação religiosa que tem por finalidade promover o reino de Deus em todos os seus aspectos, por todos os meios eticamente lícitos.

A Bíblia não registra a existência de convenção, associação de qualquer outra organização eclesiástica, além da igreja. Entretanto, contém ensinamentos e exemplos que sinalizam na direção de procedimentos cooperativos, de reunião de esforços e providências que autorizam o surgimento de entidades e órgãos que, pela iniciativa e com o apoio e controle das igrejas, se tornem instrumentos para a realização dos propósitos que têm em comum.

A Convenção aparece, na experiência batista, como instrumento para canalizar e dar expressão concreta ao desejo das igrejas batistas e do povo batista de, juntos, pelejarem “pela Fé que uma vez foi dada aos santos”.1

A existência e objetivos da Convenção se assentam sobre quatro pilares básicos, a saber:

a)    A compreensão da natureza da igreja neotestamentária local;

b)    A posição do indivíduo no propósito de Deus;

c)    O governo democrático da igreja;

d)    O princípio da cooperação.

Estes pilares básicos formam o arcabouço da Convenção Batista Brasileira e lhe fornecem a sustentação bíblica.

1.1- A Igreja

A igreja batista local é o ponto de partida e de chegada da Convenção Batista Brasileira.

Jesus Cristo instituiu a sua igreja2, tornando-a real e efetiva3, revestindo-a de condições para receber todos os povos, fazendo-os família de Deus4, amando-a e dando-se a si mesmo por ela5, a fim de torná-la o instrumento perfeito para o testemunho da sua graça e proclamação da sua salvação.

A igreja é uma congregação local, formada por pessoas regeneradas e biblicamente batizadas, após pública profissão de fé, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ela cumpre os propósitos de Deus no mundo, sob o senhorio de Jesus Cristo, o qual deseja criar um novo homem, segundo a imagem e semelhança do Deus Triúno, e formar uma nova humanidade, um povo para louvor da glória de sua graça, no tempo presente e na eternidade.

A igreja cumpre este propósito através do culto, da edificação dos salvos, da proclamação do evangelho, da ação social e da educação, vivendo em amor. No cumprimento destas funções, a igreja coopera com Deus para a consecução do plano divino de redenção. Baseada no princípio da cooperação voluntária entende a igreja que, juntando seus esforços aos de igrejas co-irmãs, pode realizar a obra comum de missões, educação, formação de ministros e de ação social, com mais eficiência e amplitude. A igreja é autônoma, tem governo democrático, pratica a disciplina e rege-se pela Palavra de Deus em todas as questões espirituais, doutrinárias e éticas, sob a orientação do Espírito Santo.


1.2- O indivíduo no propósito de Deus – O crente batista

E propósito de Deus que todos os homens sejam alcançados por sua graça salvadora6 e cheguem ao pleno conhecimento da verdade e ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo7, por se tornarem novas criaturas, reconciliadas com Deus por meio de Jesus Cristo8 e, como salvos e reconciliados, sejam tornadas testemunhas suas9.

Identifica-se como batista a pessoa convertida, regenerada pela ação do Espírito Santo, salva mediante a graça de Deus e a fé em Jesus Cristo, e que se submete à soberania de Cristo; une-se a uma igreja da mesma fé e ordem – corpo de Cristo – através do batismo; presta culto a Deus, e somente a ele; crê na autoridade da Palavra de Deus – sua única regra de fé e prática – e na competência do indivíduo perante Deus.

Do princípio da responsabilidade individual da criatura humana diante de Deus derivam os demais princípios que balizam a vida do crente batista: a) o livre exame da Palavra de Deus; b) a liberdade de consciência; c) a responsabilidade pessoal para com a igreja local e outras co-irmãs; d) a responsabilidade civil para com o Estado; e) a separação entre a igreja e o Estado; f) e o amor, que gera conduta e respeito para com o próximo, testemunho e ação no mundo.

1.3- O governo democrático das igrejas batistas

Os batistas adotam como forma de governo da igreja o sistema democrático, exercido pela congregação local, debaixo da soberania de Jesus Cristo, Cabeça e Senhor da Igreja, e sob a orientação do Espírito Santo. A democracia se exprime pelo voto: cada cidadão um voto. No caso das igrejas batistas, cada membro um voto, e o vencido aprende que deve cooperar com a maioria vencedora.

Ela é o sistema de governo baseado no reconhecimento da competência da pessoa humana perante Deus, e nos princípios da liberdade e da responsabilidade, sistema enfim que proporciona oportunidade para o crescimento, o progresso e a plena realização pessoal, como a expressão livre de sua consciência e vontade. A democracia batista é um privilégio, é um desafio, o desafio de preparar e educar um povo para o reconhecimento de seu valor e para aplicação adequada desse valor em tudo que é, diz e faz.


1.4- O princípio da cooperação

São abundantes os textos bíblicos que falam de cooperação e solidariedade entre o povo de Deus, da maneira como Deus age e de como quer o seu povo proceda, ao lhes ensinar a cooperação como forma de atingir seus objetivos.


1.4.1- A cooperação como forma criadora

Impressiona como, através da história da revelação, toda a obra criativa de Deus e de Jesus Cristo é impregnada do sentido de solidariedade e cooperação. Desde a criação do universo e do homem10, a formação do povo de Israel, a partir da convocação de Abrão e sua família11; a vinda de Jesus Cristo ao mundo com a participação de tantas pessoas12; passando pela ação do próprio Jesus, quando chama os seus apóstolos14, e funda a sua igreja15, essa realidade está presente16.

1.4.2- A cooperação como exemplo de solução de problemas existentes na igreja

Observe-se a maneira de agir da igreja, logo no início e nos primeiros anos de sua existência. Para substituir Judas, os onze são chamados17; para resolver uma grave questão surgida entre “helenistas” e hebreus – atendimento das viúvas da Igreja e de Jerusalém – a “multidão dos discípulos” é convocada18. A igreja toda se reúne para ouvir o relatório de Pedro sobre a conversão de Cornélio19; e na hora de superar preocupantes controvérsias doutrinárias, a “cooperação” está presente, através de um verdadeiro “concílio”, o primeiro20.


1.4.3- Programas cooperativos administrados por igrejas e líderes cristãos

E ainda a experiência da igreja primitiva – marcada pela “cooperação” – que ensina não só a resolver problemas, mas sobretudo realizar tarefas importantes para a expansão do reino de Deus. Recordem-se: a) o envio de missionários pela Igreja de Antioquia21; b) a “coleta” para as igrejas da Judéia, por causa da fome22; c) o sustento de Paulo e de seus companheiros23; d) o encontro em Trôade24; e) o relatório de Paulo à Igreja de Antioquia, após a primeira viagem missionária25.


1.4.4- A cooperação como forma de cuidado e ajuda à igreja

Nesta exemplificação, com base na experiência da igreja cristã nos primórdios, vale ressaltar outro aspecto da cooperação, isto é, o cuidado e ajuda às igrejas, demonstrados em atitudes tais como: a) a igreja de Jerusalém enviando Barnabé para acompanhar os fatos que estavam ocorrendo em Antioquia da Síria, com o surgimento da primeira igreja cristã gentílica26; b) a decisão de Paulo de voltar às igrejas organizadas em sua primeira viagem missionária para ver como estavam, fortalecê-las e constituir-lhes lideranças27; c) o cuidado de Paulo para com todas as igrejas28.

A igreja como família, povo de Deus, corpo de Cristo, assembléia dos salvos – aponta para a cooperação, para a associação e para a união de forças e propósitos, tendo em vista objetivos comuns. O princípio da cooperação fraterna e solidária está fundamentado na Bíblia – tanto no Antigo como no Novo Testamento –, a qual afirma ter Deus propósitos definidos para o mundo e para o universo, que busca alcançar através da participação dos homens em geral e de seus servos em particular.

A cooperação no reino de Deus é a forma de operação que dignifica e exalta os homens. Paulo afirma que somos cooperadores com Deus29.   Esta co-participação eleva a cooperação ao ponto mais alto da dignidade, pois dá ao homem o privilégio de trabalhar com o seu Criador e Senhor. A cooperação é a essência do sistema batista. Trabalhar junto tem sido o segredo da obra realizada. Tem sido o ponto para onde convergem as autonomias e independências, reforçando a interdependência e o compartilhar dos membros objetivos. A cooperação é obra de iguais, de companheiros, de livres; porque é resultado da soma de vontades que livremente decidem pela união de forças para a realização de propósitos comuns. A Convenção, como órgão que dá expressão à obra cooperativa dos batistas, busca sempre caminhos para fortalecer a visão sinótica de igrejas e crentes, o que possibilita o desenvolvimento das atenções e esforços na direção assinalada como o ponto de interesse comum. A cooperação a ser buscada e a ser dada, tende para a obtenção de resultados cada vez mais expressivos, permitindo o cumprimento dos propósitos e das tarefas indicadas, com a maior eficiência possível. A cooperação a ser dada deve ser alegre, entusiástica e solidária30.

A Convenção, em seu propósito de promover a cooperação, entende que, além da cooperação resultante dos vínculos que mantém com igrejas, entidades e órgãos, há outra cooperação igualmente desejada: a das entidades ou órgãos com os quais as igrejas se associam, como é o caso das Convenções e Associações de Igrejas Batistas e outros cujos objetivos se somam aos propósitos da Convenção.

A Convenção representa, de forma adequada nos dias atuais, a solução dos batistas para a realização de suas aspirações comunitárias e o tratamento das questões de seu interesse, segundo a mesma linha de ensinamentos e exemplos bíblicos, buscando, assim, manter-se fiel ao propósito de Deus de salvar o mundo e de adquirir para si um povo peculiar.

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